“Todas as coisas da criação são filhos do Pai e irmãos do homem.
Deus quer que ajudemos aos animais, se necessitam de ajuda,
e eles têm o mesmo direito de serem protegidos"
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Francisco de Assis


História e origem do Pastor Branco Suíço.

A maravilhosa raça sobrevivente do genocídio e hoje valorizada no mundo inteiro.

Mais do que agradecer aos suíços, americanos e canadenses pela salvação do Pastor Branco, importa ressaltar e denunciar a violência do erro, baseado num eugenismo criminoso justificado com mentiras.

O começo do genocídio


D urante o regime nazista, a sanha da "raça pura", não se limitou aos humanos, atingiu também os espécimes animais. Começou a discriminação e o genocídio contra os pastores brancos, que inexplicavelmente, perduraria por quase 50 anos.

Sem considerar a experiência ancestral e contemporânea de inúmeros criadores, que tinham nos pastores brancos companheiros inteligentes, robustos e laborais, o regime nazista passou a exigir a matança dos cães, sob alegação de "albinismo" (raça impura). E segundo alguns relatos, para completar, esses cães seriam os favoritos de importantes famílias judias.

O fato é que na segunda guerra, a totalidade dos cães brancos adultos já desaparecia da Alemanha, mortos de forma cruel, muitas vezes afogados ou jogados nas chamas de fornos.

Porém, a forte genética persistindo na sobrevivência, continuava produzindo ninhadas brancas inteiras, do cruzamento dos pastores "oficiais". Mas os filhotes continuavam imediatamente sacrificados.

A luta do "Pai da Raça"


M ax E. von Stephanitz, considerado o "Pai da Raça" do pastor alemão", era o dono de Horand (o primeiro pastor registrado), e de vários cães brancos. Se esforçou para provar que a cor da pelagem não era importante para o valor da raça.
Consternado com a perseguição, palestrava para diferentes públicos e escrevia defendendo que os pastores brancos eram saudáveis, fortes e possuidores de qualidades naturais como os outros, que seriam mais ou menos favorecidas, dependendo exclusivamente da criação individual.

Mas tudo isso foi indiferente aos oficiais nazistas, para os quais só importava a aparência do animal, e como membros do Clube do Pastor Alemão, impuseram seu autoritarismo. A cromática branca deveria ser eliminada.

Depois de sofrer muitas pressões e ameaças, em meados de 1935, Max recebeu o ultimato: iria para um campo de concentração se insistisse em proteger a vida dos pastores brancos. Assim, ele desistiu de um trabalho de mais de 30 anos e veio a falecer após alguns meses.

Pós-guerra: a saga do valente Pastor Branco continuou


S urpreendentemente, o genocídio não teve fim com o final da segunda guerra, ao contrário, aumentou!

A onda vibracional da ignorância, discriminação e preconceito, atravessou fronteiras, e atingiu até outros países da Europa. De 1945 a meados de 1960, todos os filhotes brancos de ninhadas registradas, eram eliminados assim que nasciam.

Em alguns anos a população do Pastor Branco desapareceu completamente em várias regiões europeias, e teriam desaparecido do mundo, não fosse pelos exemplares levados por americanos no início do século, como fizeram Ann Tracy e Geraldine Rockefeller.


primeiros pastores brancos exportados da Alemanha

1919-Ann Tracy e Geraldine Rockefeller-1923

Do outro lado do mundo, sobrevivência e progresso da raça.


E nquanto os pastores brancos eram dizimados em uma parte do mundo, como era de se esperar, os bons pastores alemães (de capa preta), também ficavam escassos na própria Alemanha, os melhores se procriavam nos Estados Unidos, incluindo os brancos, que se espalhavam pela Dinamarca, Hawai e Canadá. Todos de origem alemã, levados por viajantes ilustres no início do século 19.

Os descendentes salvos prosperavam e ganhavam notoriedade, tornavam-se famosos astros de cinema, participavam de espetáculos circenses, serviam de guias para cegos, de cães policiais, de busca e salvamento, ou apenas alegravam o cotidiano de famílias inteiras, incluindo muitas estrelas imortais de Hollywood. Dos anos 40 até hoje, são abundantes as histórias envolvendo os inteligentes pastores brancos.

Um caso é o do cão Harvey, conhecido como Chinook, que ganhou prêmios por sua participação em quase 200 filmes, desde um protagonista dançarino, ao companheiro dos inesquecíveis Roy Rogers e Rin Tim Tim. Toda sua prole também seguiu o caminho do estrelato.

Outro caso bastante simpático, é o do ícone Hollywoodiano Gregory Peck e o divertido incidente canino que "colou" na sua trajetória.
Gregory encenava uma importante produção da época (1949), quando soube que sua pastora branca estava dando cria. Abandonou as filmagens no ato e correu para casa!
Acompanhou o nascimento dos 13 filhotes, e em seguida deu entrevistas posando ao lado deles, ainda trajando o vestuário típico de seu papel no filme!

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Cena do filme Kelly e eu, protagonizado por um pastor branco.

 
Assista um trechinho do adorável astro peludo, que nesse filme interpreta também um dançarino. Raridade produzida nos anos 50, retratando a época de 1930.

Duração: 8:54

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Se quiser ver o filme completo, clique aqui.




Dorothy Crider - Atriz, criadora e treinadora.


A enorme popularidade dos pastores brancos na indústria do cinema, deveu-se em grande parte à famosa atriz da época, Dorothy Crider, que encantou-se com seus olhares meigos, inteligência e a facilidade com que respondiam ao adestramento.

Em algumas entrevistas, Dorothy se posicionou sobre a terrível discriminação sofrida pelos pastores brancos na Alemanha:

" Desde muito jovem, eu crio e treino os pastores alemães de cor branca e escura. A diferença é no cão individual e não na cor da pelagem.
Algo que eu nunca permitirei é crueldade com os animais. Na minha opinião, a discriminação é um crime. É um crime a erradicação dos pastores alemães brancos.
Como você pode ver em centenas de filmes, meus cães receberam muitos prêmios ('Pastry Awards') como prova de sua enorme inteligência.
A linhagem dos meus pastores brancos procede da linhagem do austríaco 'Von Habsburg' a partir do século 19. Se o pastor alemão branco fosse realmente inferior, eles já não teriam degenerado depois de todos esses anos? "




A base do moderno Pastor Branco Suíço


Agatha Burch - Criadora Suíça


N o final dos anos sessenta, já existiam vários clubes de raça formados na América e no Canadá para proteger o Pastor Branco, continuar sua reprodução, exibição e práticas esportivas.

Mas foi na Suíça, pelas mãos de uma dinâmica mulher, que ocorreu o "grande salto". Agatha Burch, (1925 - 2017), havia morado alguns anos nos EUA, onde adquiriu seu primeiro pastor branco - o 'Lobo White Burch' (1966). Em 1967 ela retornou à Suíça com Lobo, e apaixonada por suas qualidades, tratou de importar uma pastora branca do Reino Unido, "White Lilac" , que em sua primeira ninhada já gerou o primeiro pastor branco campeão na Suíça, chamado Von Kron.

Em curto período, Agatha ampliava a família canina com outras importações, tornando-se dedicada ao adestramento, reprodução e divulgação dos seus cães - todos brancos.

Foi dali em diante, que os Kennelclub da Suíça, Holanda e outros países passaram a reconhecer o Pastor Branco Suíço como raça distinta, ou independente.

"Mãe da Raça"

Assim como é atribuído à Max Stephanitz a consideração de "pai" da raça pastor alemão, é creditado à Agatha, o apelido carinhoso de "mãe da raça do Pastor Suíço".
São as linhagens de seus cães que hoje percorrem o mundo.

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Lobo White Burch - o progenitor dos pastores brancos suíços

 
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White Lilac a progenitora da raça, com sua primeira cria.


E quanto a Alemanha?


Grande tutores da raça, hoje!


S abe-se que em 1968, um importante criador alemão adquiriu um dos filhotes, (Von kron), da primeira ninhada de Lobo e Lilac.
Nos anos 80, a Alemanha já importava inúmeros outros Pastores Brancos Suíços, que hoje são valorizadíssimos e abundantes aos milhares, no mesmo país que outrora perseguiu seus ancestrais.


Tanto esforço de mentes obtusas para eliminar uma cor, terminou não só por aprimorar, como produzir uma nova e exuberante raça, que hoje se distingue e inclusive supera os tradicionais pastores alemães, em variados quesitos.
Graças ao coração generoso de alguns humanos especiais, a ignorância de muitos foi derrotada e podemos contar esse final feliz!

Não é uma linda história de bravura e resistência?

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Von Kron - Da Suíça para Alemanha